Quanto sua loja precisa vender por mês pra não ter prejuízo? Esse número tem nome: ponto de equilíbrio. É o faturamento que paga todas as contas e deixa a loja no zero a zero. Abaixo dele, prejuízo. Acima, lucro. E a conta é uma divisão só: custos fixos divididos pela margem de contribuição.
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O resumo, pra quem tem 30 segundos
- Ponto de equilíbrio = custos fixos ÷ margem de contribuição (%).
- Margem de contribuição é o que sobra de cada venda depois da mercadoria, da taxa do cartão, da comissão e do imposto.
- Exemplo: R$ 9.000,00 de fixos e margem de 36% dão R$ 25.000,00 por mês.
- Divida pelos dias de loja aberta e você tem a meta do dia.
- Contratar sobe o ponto de equilíbrio. Dar desconto também.
Por que esse número muda o jogo
Muito dono de loja olha o caixa cheio no sábado e acha que o mês está bom. Só que dinheiro entrando não é lucro. Parte dele já tem dono: o fornecedor, a maquininha, o imposto, o aluguel, o salário.
O ponto de equilíbrio diz o mínimo que você precisa faturar. Com ele na mão, dá pra decidir melhor sobre preço, promoção e contratação. Sem ele, você decide no escuro.
Passo 1: separe os custos em dois montes
Toda loja tem dois tipos de custo. Os que vêm todo mês, vendendo ou não. E os que só existem quando você vende.
- Fixos: aluguel, salários, contador, internet, sistema e o seu pró-labore.
- Variáveis: custo da mercadoria vendida, taxa do cartão, comissão e imposto sobre a venda.
Some os fixos do mês. Dos variáveis, você quer saber outra coisa: quanto sai de cada R$ 100,00 vendidos.
Exemplo prático
Uma loja pequena tem aluguel de R$ 3.000,00, salário de R$ 3.500,00, contador de R$ 600,00, internet e sistema somando R$ 400,00 e pró-labore do dono de R$ 1.500,00. Total de fixos: R$ 9.000,00 por mês.
Atenção
O erro mais comum é esquecer o próprio pró-labore. Se ele não entra nos fixos, a conta mostra um ponto de equilíbrio menor do que o real. A loja “empata”, mas você trabalhou o mês de graça.
Passo 2: calcule a margem de contribuição
Margem de contribuição é o que sobra de cada venda depois dos custos variáveis. É essa sobra que paga os fixos. A conta é: venda menos custos variáveis. Em porcentagem, divida o resultado pela venda.
No exemplo, de cada R$ 100,00 vendidos:
- R$ 55,00 são mercadoria;
- R$ 3,00 são taxa do cartão;
- R$ 6,00 são imposto (número só de exemplo).
Sobram R$ 36,00. Margem de contribuição de 36%.
Atenção
O imposto do exemplo é só ilustração. O percentual da sua empresa depende do regime e da atividade. Confirme o seu com o contador antes de fazer a conta.
Passo 3: faça a divisão
Agora é uma conta só: custos fixos divididos pela margem de contribuição em porcentagem. Lembre de usar a margem em decimal (36% vira 0,36).
R$ 9.000,00 ÷ 0,36 = R$ 25.000,00 por mês.
Esse é o ponto de equilíbrio da loja. Vendendo R$ 25.000,00, ela paga tudo e não sobra nada. Daí pra cima, cada real a mais deixa 36 centavos de lucro.
- Vendeu R$ 30.000,00? São R$ 5.000,00 acima da linha. Lucro de R$ 1.800,00 (5.000 × 0,36).
- Vendeu R$ 22.000,00? Faltaram R$ 3.000,00. Prejuízo de R$ 1.080,00 (3.000 × 0,36).
Repare: vender R$ 30.000,00 não quer dizer que sobraram R$ 30.000,00. Se quiser ir além e enxergar o resultado completo, vale ler como calcular o lucro real da sua loja.
Passo 4: transforme em meta do dia
R$ 25.000,00 no mês parece abstrato. Divida pelos dias de loja aberta e o número fica concreto.
Se a loja abre 25 dias no mês: R$ 25.000,00 ÷ 25 = R$ 1.000,00 por dia. Esse é o mínimo diário pra empatar. Fechou o dia com R$ 800,00? Ficou devendo R$ 200,00 pra meta, e alguém vai ter que cobrir esse buraco nos próximos dias.
Como acompanhar no dia a dia
A conta só serve se você olhar pra ela durante o mês, não só no fim. Acompanhe o faturamento contra a meta. No Mais PDV, o Faturamento Diário ajuda nisso: você vê quanto a loja vendeu em cada dia e compara com o mínimo que calculou.
Uma rotina simples:
- Anote a meta diária e a meta do mês num lugar visível.
- No fim de cada dia, confira o faturamento.
- Na metade do mês, veja se já passou da metade do ponto de equilíbrio.
- Se estiver atrás, aja cedo: promoção bem pensada, contato com clientes antigos, reforço nos dias mais fortes.
Use o número antes de decidir
O ponto de equilíbrio não é só um termômetro. Ele mostra o efeito de uma decisão antes de você tomá-la.
Vai contratar? A despesa fixa sobe e o ponto de equilíbrio sobe junto. No exemplo, um funcionário a mais custando R$ 2.000,00 leva os fixos a R$ 11.000,00. Novo ponto: R$ 11.000,00 ÷ 0,36 = R$ 30.555,56. Vale a pena se ele ajudar a vender mais que isso.
Vai dar desconto? A margem cai e você precisa vender mais pra chegar no mesmo lugar. Se a margem baixar de 36% pra 30%, o ponto vai de R$ 25.000,00 pra R$ 30.000,00 (9.000 ÷ 0,30). Desconto sem conta é um dos erros silenciosos que comem o lucro.
Quer baixar o ponto de equilíbrio? São três caminhos: cortar custo fixo, comprar melhor a mercadoria ou ajustar o preço. Se o preço for o problema, veja como precificar um produto em 3 passos.
Perguntas frequentes
Ponto de equilíbrio é o mesmo que lucro?
Não. É exatamente a linha do zero a zero: pagou tudo, sem lucro e sem prejuízo. O lucro começa depois dele.
A taxa da maquininha é custo fixo ou variável?
Variável. Ela só existe quando você vende no cartão. Vendeu mais no cartão, paga mais taxa.
Se meus variáveis são R$ 60,00 de cada R$ 100,00, qual a margem?
40%. Sobram R$ 40,00 de cada R$ 100,00 pra pagar os fixos e dar lucro.
Preciso refazer a conta todo mês?
Refaça sempre que algo mudar: aluguel novo, contratação, reajuste do fornecedor, mudança de preço. O número muda junto.
Onde aprendo isso com calma?
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